Medo

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Às vezes paro e penso nas coisas que eu poderia ter feito se não tivesse medo. 
Ou nas coisas que poderiam ter acontecido.
Ou como seria tudo, hoje, se eu não tivesse...medo.

Eu tenho medo desnecessário. Sempre tenho a sensação de que as coisas não vão dar certo comigo.
Como por exemplo, essa coisa de paixão.

Era pra ser amizade, mas aí eu me apaixonei.  

Burrice.
Como estava escrito naquela porta do banheiro: "Pega todo esse romantismo e joga fora, ou então guarda, mas muito bem guardado, porque ser romântico agora não está com nada!"
Talvez seja isso mesmo. Talvez essa onda de romantismo já esteja ultrapassada demais pros dias de hoje. 
As pessoas simplesmente parecem não estar mais dispostas a amar.
Dá vontade de amar. De amar de um jeito “certo”, que a gente não tem a menor ideia de qual poderia ser, se é que existe um. 

Ou as pessoas não estão mais dispostas a amar, ou estão com medo.

Medo? Pois é. Medo. Medo de quebrar a cara;  de se decepcionar com a expectativa equivocada que criou; de ficar com o coração partido, depois de ter demorado tempo demais para se recuperar do último fora... Medo de começar a chorar, e não conseguir parar mais.

O medo de sofrer é maior do que a vontade de viver um amor. Às vezes. E nem me venha com esse papo de que quando a gente quer, a gente faz acontecer, porque eu realmente quero algo mas estou seriamente com medo do que pode acontecer. É aquela sensação de que tudo o que você disser, dirá na hora errada, de maneira errada e que a pessoa vai sair correndo após a última palavra.

Desnecessário é sofrer por alguém que você sabia que nunca iria dar certo. Desnecessário é ter medo de se arriscar.
E se quebrar a cara? E se quebrar o coração? Oras, simples. Nada como o tempo para curar os males.
E se as coisas começarem a darem certo? E se tudo estiver indo bem? Que ótimo. Torça você aí, que eu torço aqui, para que tudo continue assim.

É tão raro algo dar certo, que quando dá, você quer ficar quietinho na cama por precaução, não é mesmo?
Mas o melhor é não fazer planos, porque a vida sempre dá um jeito de nos surpreender, ou decepcionar.

Eu não quero viver uma vida cheia de histórias que não existiram por medo.