Quando um amor acaba

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"E o que a gente faz quando o amor da nossa vida vai embora?"
" Ora, essa! A gente arranja outro amor!"




Berenice foi uma das pessoas mais legais que tive a oportunidade de conhecer.
Tem sessenta e três "bem vividos" anos, como ela mesma diz.
Se já se apaixonou? Sim, claro! E foi tão intenso quanto esses filmes românticos. Contava-me com os olhos brilhando sobre seu primeiro namorado. Moreno, alto, cabelo curto e um ar de arrogante. Talvez assim como o primeiro amor de muitas garotas.

"– Você se lembra do seu primeiro amor?", perguntou-me Berenice, bem curiosa.
"– Mas é claro que lembro!", respondi, sorrindo, lembrando-me de um garoto Felipe, anos mais velhos, que estudava na quarta série da minha primeira escola, enquanto eu estava "apenas" na terceira fase do "prézinho". Bons tempos. Felipe era alto, ao menos se comparado comigo, naquela época. E provavelmente até hoje também. Alto, loiro, olhos expressivos e um sorriso largo e bonito. Foi meu par na festa junina de 2000. 
Foi também o primeiro amor que tive em minha vida.

Na verdade, se tem uma coisa que eu tenho nessa é vida é amor. Ou amores. 
Se fosse marinheira, com certeza teria "um amor em cada porto". Se fosse astronauta, até em Marte eu teria! Sou uma pessoa que se apaixona tão facilmente, mas ama tão pouco. 

Paixões são diferentes de amores. Ah, se são! 
Já fui apaixonada por tantas pessoas nessas vidas, e amei uma. Uma inalcançável paixão que o destino encarregou-se de me presentear. 
Com o amor da minha vida aprendi uma coisa: Estou tão perto, e ao mesmo tempo tão longe.

Gosto de me apaixonar. Não gosto de ficar com coração e mente vazios. Gosto sempre de ocupar meus pensamentos com uma pessoa, imaginando diálogos que jamais acontecerão. Eu gosto disso.
Gosto dessa sensação de sentir "borboletas no estômago", de ter motivos (ou não) para sorrir, e para chorar também.
Mas não gosto de amar. Amar dói, e doeu em mim.
Mas a paixão também machuca.

Uma vez pude experimentar a sensação de ver uma pessoa pela qual você é apaixonada partir da sua vida sem nem se despedir. Ele foi embora, para outro país e foi continuar sua vida. Eu me afastei dele e deixei que ele se afastasse de mim cada vez mais que tentava se aproximar. Quando dei por mim, ora, era tarde demais! E não é que ele tinha comprado sua passagem de volta para a casa? E não é que minha vida não é um filme hollywoodiano, mas sim mexicano? Drama e tragédia sempre juntos. 
Ele foi embora. E só me restou imaginar eu correndo atrás dele pelos corredores de um aeroporto lotado, gritando seu nome, correndo em sua direção, beijando-o e então ficaríamos juntos e seríamos um belo casal. Como nesses filmes e livros que adoramos comprar pela capa.

Minhas paixões sempre se vão. Não guardo rancor, nem nomes. Guardo lembranças e sentimentos. Às vezes de raiva, de dúvida, de indiferença, mas também de carinho e amor.

Questionei-me em o que fazer quando o amor acaba, e percebi que é necessário encontrar um novo amor. 
A vida não pode parar por coisas tão simples, né?

"– Ah, se o amor fosse simples, querida!"

Ai, dona Berenice... Ah se o amor fosse simples!