O que mesmo você disse?

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Ouvi você dizer que não queria nada sério. 
Ouvi você dizer que não queria relacionamentos, beijos, abraços e afagos.
Ouvi você dizer que não se apaixonaria de novo, e que não queria mais nada disso.
Ouvi você dizer que o problema não era eu, mas sim você. 
E talvez fosse você mesmo.

Não quero tirar sua culpa e jogá-la pra mim. Você foi realmente o problema da gente não ter ficado juntos. Você foi realmente o lado problemático da relação. 
Foi você mesmo quem começou e terminou tudo. Você conseguiu estragar, e eu não vou assumir essa culpa.



Ouvi dizer que é possível se recuperar rápido de um fim de relacionamento, mas, nossa, você foi rápido demais. Confesso que por isso eu não esperava.

Quando eu disse "Chega. Vamos acabar isso, vai.", senti um alívio imenso. Parecia que eu havia retirado duas toneladas e meia de alguma coisa das minhas costas.
Me senti mais feliz ainda por ter dito isto antes de você. Ou achou mesmo que eu ia deixar você me dar um pé na bunda antes?
Sabe, querido, na faculdade da vida, eu tenho uns vinte diplomas de Pé na Bunda, e isso inclui cursos extras e experiências que você nem ousaria imaginar.

Eu nunca terminei um relacionamento, talvez até porque nunca tive, de fato, um de verdade. Eu nunca disse "Vai". Sempre preferi trocar o "vai" pelo "fica!" ou "vem!", mas dizem que para tudo na vida tem uma primeira vez, e acho que dessa vez foi a minha.

Não chorei, não fiquei triste, nem fui desabafar com um amigo. Guardei aquele momento para mim e achei que seria a melhor opção assim.
Mas você... Você é realmente tão diferente de mim. 

Terminamos na terça-feira e você começou a namorar na sexta-feira. Achei engraçado. 
Eu não fiquei triste, nem fiquei me culpando, ou achando que você não queria ficar comigo, ou que você já estava com a outra garota, ou que sei lá. Só achei engraçado e fiquei confusa, e comecei a pensar em todas aquelas coisas que você havia dito de amor, paixão e sentimentos.
Você era doido mesmo. Só podia ser culpa sua.

Dias atrás te vi descendo as escadas da faculdade, depois de nove meses sem te ver. 
Pois é. Nove meses se passaram desde o ocorrido. Nove meses estudando na mesma faculdade, compartilhando o mesmo corredor e quase que a mesma sala. Nove meses que não te via, e então comecei a pensar em todas as coisas que mudaram nesses últimos meses.
Como mudamos, não é mesmo?
Abri um sorriso para te dar um oi. Mesmo a amizade tendo esfriado, tenho o direito e a permissão de sentir saudade. Você era legal. Era doido, mas ainda assim, legal.

Estufei o peito para dizer seu nome e te dar um oi, mas meu amigo me fez calar imediatamente.

"— Ele vai ser papai. Está sabendo?"


Fui dizer que havia lembrado de nós. x Descobri que você vai ser pai.

Foi bem tipo isso. Mesmo. 
Obrigada, Chico, por esse eterno ícone. 

Pela primeira vez na minha vida eu sorri e desejei tudo de bom para um desconhecido.
Senti uma paz dentro de mim, e a única coisa que eu queria e desejava naquele momento era que a sua namorada fosse muito feliz, e seu filho também. Desejei a sua felicidade e a felicidade plena de vocês três, porque, afinal, gente chata não enche o saco. 
E desejei também que vocês possam ter a consciência na hora de escolher o nome do bebê, porque, dois mil e quinze e neném com nome cafona é brega demais. Camilly Victoria só quem pode é a filha do Xanddy. A sua não.

Naquele momento me dei conta que você foi uma pessoa incrível (mas nem tanto), que passou pela minha vida e acabou por não fazer diferença nenhuma. Não fez diferença, nem falta. Apenas passou. E só.

Eu desejo à você vida longa e memória boa, pois, afinal... O que mesmo você disse?


 SAC PÉ NA BUNDA