Que dia...

by - 16:43:00

Às vezes desconfio que Deus e o destino gostam de me pregar peças e fazer sofrer.
Deus deve me olhar lá de cima, rindo, e deve falar: "Lembra daquelas sacanagens e pisadas de bola que você andou dando? Então..."

Hoje, pela milésima vez desde que o conheci, decidi que o esqueceria. E que dessa vez seria pra valer.
Tinha que ser.
Apaguei todas as memórias que tinha dele. As flores, inclusive, já estão lá no lixo. Combinam mais com o saco plástico preto do que com a prateleira do meu quarto.
Saí de casa para fazer uma coisa e me deparei com ele. O sol em seu rosto, deixando seus olhos entreabertos. O cabelo bagunçado, a cara de sono, de pijama verde e o cachorro do lado.
Parecia piada.
Quanto mais tento e quero me afastar e esquecer dele, mais parece que me aproximo.
Droga.

Parecia que tudo tinha perdido o sentido naquele instante.
Para onde eu iria? O que eu iria fazer? Tinha que comprar o que mesmo? 
Peguei o celular, na tentativa de disfarçar e começar contato com outra pessoa, mas é nessa hora que todos os contatos parecem desaparecer. Ninguém atende o telefone. Ninguém responde no aplicativo. Ninguém manda sms. Todo mundo some.

Quis o destino que a gente se cruzasse. Quis o destino que a gente se visse. Quis o destino que ele me esperasse passar por perto, para poder assobiar pra mim e falar comigo.
E aconteceu.
Senti um soco no estômago, um aperto na garganta e uma vontade imensa de chorar.

Dia dos Namorados e nós poderíamos estar juntos. Dia dos Namorados e nós poderíamos estar deitados na cama embrulhados na coberta quentinha vendo futebol juntos. Dia dos Namorados e nós poderíamos colocar gasolina no carro, conectar o pendrive e simplesmente sair por aí, dirigindo para qualquer lugar aproveitando o sol e o dia. 
Dia dos Namorados e a gente poderia só... estar junto.

Mas, não. Ele não está comigo. Ele está com ela. Com elas
E esse plural foi o pior momento do dia. 
É. Descobri que ele não tem outra. Ele tem outras. 

Foi um soco no estômago. Foi um nó na garganta. Foi um tiro no peito. 
Foi um acidente.
Me apaixonar foi um acidente. E um erro. Um PUTA erro.
Foi bom, maravilhoso, foi história de livro, roteiro de cinema... Foi tudo. Mas foi um erro.
Não me arrependo de nada. Tudo o que aconteceu, tudo o que rolou, tudo o que foi feito, foi dito e foi sentido. Não me arrependo. Vivi intensamente, como se cada dia fosse o último. Porque é assim que deve ser. Sempre.
Mas errei. 

Podia ser a gente. E eu achei que poderia ser. 
Eu não sei em que momento eu me perdi que acreditei que a gente daria certo.
Eu não sei como ou o que aconteceu para eu achar, de fato, que poderíamos ser um casal.

Doeu.

Nesse Dia dos Namorados, não tenho um namorado para dar um presente.
Mas tenho eu. E meu maior presente é me livrar desse amor que pesa, que faz mal, que atrasa, que incomoda, que faz chorar, faz sofrer, que ilude, que humilha e que me diminui. 
O maior presente que eu posso dar no dia de hoje é esse: Libertação.

Chega de amor de amor vazio. Chega de amor destrutivo. Chega de amor falso.
Chega de dor no estômago, nó na garganta, choros e noites perdidas de sono.
Me liberto, definitivamente, desse amor. 
Chega. 
Quando a gente se contenta com pouco amor, é como se estivéssemos desvalorizando a nós mesmos. A gente merece mais do que uma pessoa bosta. A gente merece mais do que um amor platônico, impossível e impulsivo. 
E nesse Dia dos Namorados, eu não preciso disso.
Eu preciso de um relacionamento sério comigo mesma. E muito, muito amor.

Eu não gastei R$ 28,00 com uma máscara de rímel da Maybelline para chorar por homem bosta, não é mesmo, mores?