Sobre saudade, abraços e amor

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O tempo é, de fato, algo extremamente relativo. Para uns, quinze dias são como uma semana. Só se dão conta que já foi metade de um mês pela quantidade de fins de semana que passaram em casa. Para outros, quinze dias são como um mês que sem feriado: demoram a se passar, parece que se arrastam no tempo e dão agonia.
Para mim, quinze dias à toa são apenas quinze dias. Mas quinze dias de saudade... são muito mais que isso.

Foram mais de quinze dias desde a última vez em que eu o vi.
Foram mais de quinze dias desde o último abraço que o dei.
Foram mais de quinze dias desde o último beijo de tchau antes de vê-lo partindo.
Foram dias nostálgicos, dias de incertezas, de saudades, de choro e dias em que eu cheguei a pensar que não iriam passar nunca e que iria enlouquecer e não aguentar. Mas aguentei, e esses dias se passaram.
Ele voltou, e trouxe consigo meus sorrisos de volta. Ele voltou, por um tempo curtinho, mas voltou.

Depois de longo dezessete dias, fiz aquele caminho que sabia de cor e salteado, ouvindo as mesmas músicas de sempre, mas dessa vez com um sentimento sem igual.
Quando vi o portão se abrir e ele aparecer ali, foi impossível segurar o sorriso, e o choro.
Amar à distância é isso. É sentir saudade quando se vai, e sentir amor quando se chega.
Era saudade, misturada com nostalgia, uma imensa vontade de chorar, junto com a incontrolável vontade de sorrir. Sentir seus lábios nos meus, e seus braços em volta de mim, me trouxe aquela sensação que ele sempre me causa: arrepio. 
O enchi de beijinhos, de abraços, de mãos, carinhos, de olhares e amassos. É tão bom poder ficar agarradinho, juntinho, no quentinho, sem ter hora para se desgrudar.

É incrível como ele me equilibra. 
Enquanto eu sou afobada, ele é tranquilo. Enquanto eu fico desesperada, ele fica calmo, e me acalma também. Enquanto eu falo e falo ou começo a rir sem parar, ele fica lá, paciente me ouvindo, completando meus diálogos e respondendo minhas perguntas sem nexo. E enquanto eu choro e tento me desculpar, ele me abraça e diz que está tudo bem. E tudo fica realmente muito bem.

Foram ao menos dez horas juntos fragmentadas em dois dias. Dois dias que para alguns se arrastam, mas que para mim, passaram tão rápido. Novamente, vejo como o tempo é relativo. As horas ao lado de quem a gente ama parecem passar correndo. O tempo passa, as coisas acontecem e a gente nem percebe que é hora de ir embora. E então só fica saudade.
Saudade de abraçá-lo, de de beijá-lo, de senti-lo em meus braços, de olhar em seus olhos e me perder em seu sorriso. De ficar jogando para ele a decisão de onde ir, de ficar na dúvida do que fazer, de fazer programas de índio, ou de fazer programas de casal sendo casal.
Amar é bom demais. Ser amado é melhor ainda.

Nesses últimos dias longe eu aprendi muita coisa sobre o amor.
O amor é algo que se constrói todos os dias, com palavras, com carinho, com respeito e atenção.
O amor é aquilo que você faz quando ninguém vê. Você tem todas as oportunidades e opções, mas prefere lealdade e sinceridade, mesmo que seja só da sua parte, afinal, o mundo precisa de pessoas assim.
Amar é sentir saudade, é se importar, é se preocupar.
Amar é saber que não está tudo bem, mas tentar fazer estar.
Amar é querer dormir, mas segurar um pouco o sono para poder conversar um pouquinho mais.
Amar é mandar áudio, mesmo sabendo que isso não substituí ligações telefônicas.
Amar é estar junto, mesmo não estando perto.
Amar à distância é contar os dias para estar juntinho, mesmo sem saber quando será esse dia, e saber aproveitar as horas lado a lado.

O amor é isso. É amar, confiar, sentir saudade, aguentar a distância, e se entregar, de coração, de alma, com leveza e carinho a um sentimento e uma pessoa. É se jogar, torcendo para não chegar no chão tão cedo.

Dizem que pessoas ímpares formam bons pares.
Espero que ele seja meu par ideal por um longo tempo.