A distância

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Se apaixonar é bom, né?
Não. Não é. Na verdade é, mas depende. 
Se apaixonar é sempre bom quando tem alguém apaixonado pela gente também, e melhor ainda quando é recíproco, porque se não, um dos lados sempre sai machucado.
Há quem diga que você só ama quem está perto. Quem você vê sempre. Ama quem não some, mas soma. Ama quem se importa, e não quem ignora. A gente ama quem visualiza e responde, e não quem esquece de dar pelo menos um "boa noite". 
Mas, também há quem diga que o amor é assim, espontâneo, e não adianta lutar contra ele.
O amor não depende do tempo, nem da distância. Nem de quem é.
O amor não escolhe local, nem idade, nem cor de pele ou espessura do cabelo. O amor não escolhe nome, nem endereço, e às vezes não calcula a distância.
E essa distância... quase sempre machuca.

Dias desses me coloquei a pensar na relação amor x distância. Estava ouvindo uma conversa enquanto tomava chocolate quente numa loja de conveniência, quando sem querer, comecei a prestar a atenção num casal que estava na mesa ao lado. Ela, no estilo paulista do interior, e ele com aquele sotaque carregado do Sul. Conversavam sobre quando iriam se ver de novo.
"- Novembro, Dezembro... Quem sabe não volto num feriado!"
Isso foi em Agosto. Três meses que ficarão sem se ver. Três meses sem abraço, sem carinho, sem beijos e sem sorrisos. Três meses conversando olhando para um celular, ao invés de olhar no olho. Três meses de vazio. É estranho isso, não é mesmo?
Poxa, quem é que se dispõe a amar de longe?
Eu!

Incrivelmente me dispus a amar a distância.
Me chamaram de louca, de idiota, de corna e de sem noção. Me disseram que eu posso ser traída a qualquer momento, e que isso não vale a pena.
Mas, contrariando todos os comentários negativos, e ficando pensativa várias e várias vezes, arrisquei. Arrisquei em uma fase da vida em que eu não tenho nada a perder. Muito pelo contrário.

Amor não se escolhe. Mas amar é uma escolha.
Eu acho que quando duas pessoas se gostam, elas precisam tentar ficar juntas. E nesse caso, não importa, principalmente, a distância. Quando a gente gosta de alguém, a gente se esforça. A gente dá um jeito de abafar a saudade, de disfarçar a ausência, e de compensar a distância quando está junto.
Eu escolhi amar, mesmo longe. Escolhi sentir falta de abraços e de beijos, porque sei, que no fim das contas, os poucos momentos juntos conseguem superar os inúmeros dias longes. Escolhi conversar através de um celular, ao invés de olhar nos olhos, porque, depois de tanto tempo, os olhos dele continuam me encantando. E isso é incrível.
Amar à distância e a famigerada frase: "Será que vale a pena?". Sim. Vale. E vale muito.
Vale esperar dias e mais dias por um abraço. Vale esperar dias e mais dias por um beijo. Vale a pena ficar longe, porque quando fica perto, a saudade é tanta, que mal da tempo de achar defeito. - e como se achar defeito fosse um empecilho para amar.

Amar é uma escolha. E eu escolhi amar alguém que está longe. Escolhi sentir saudade. Escolhi ficar longe de abraços, beijos, carinhos e olhos nos olhos quase que diariamente. Mas, é uma escolha da qual não tenho arrependimentos. Na verdade, fico feliz por estar lutando por algo que sinto que vale a pena, mesmo diante de todas as dúvidas, as saudades, as crises e a vontade de acabar com tudo, assim como o aperto no peito e ausência diária, pois, um dia, me disseram que "para estar junto não precisa estar perto", e tenho acreditado nisso, a cada dia, um pouquinho mais.

A gente mora tudo no mesmo planeta, não é mesmo? Então, nesse caso, acho que longe é um lugar que não existe. :)

Não deixe sua paixão acabar por causa de alguns singelos quilômetros!