A crise pós faculdade

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Entrei na faculdade com imensos sonhos e desejos.
Mas saí dela com imensas dúvidas, questionamentos e receios.

"– O que eu vou fazer agora?"
"– Por que não fiz melhor?"
"– Eu não aprendi isso!"
"– Cadê meu emprego???"
"– Todo mundo indo, e só eu ficando..."

É aquela sensação de vazio, de desespero, de decepção, cobrança, e dúvida.

"Será que fiz a escolha certa?" foi a pergunta que mais ocupou minha mente desde que me formei em Biologia em 2015. 
Ainda tive um longo ano de matéria compensatória de uma disciplina que não gostava – mas aprendi na marra (e foi incrível!) –, estágio, e muito aprendizado. 
E dúvidas à rodo.

Pra mim, esse período de faculdade foi algo bem legal. 

Conheci pessoas novas, das quais espero nunca me afastar. 
Mas também conheci pessoas das quais espero não ter que conviver nunca mais!

No meio do caminho, amizades foram feitas, e outras desfeitas, como os amigos do colegial.
Incrível como o êxtase, a paixão e a cumplicidade são tão fortes no colégio, mas, quando vira o tempo, a gente se forma, o vestibular acontece, e muda o ano, tudo muda também. 
A gente se afasta de pessoas que achamos que jamais nos afastaríamos, e damos espaços à novas pessoas, mais descoladas, com pensamentos inovadores, e mais velhas. 
A faculdade nos ajuda a encontrar nossa identidade, formar a nossa tribo, e a se encaixar na sociedade.

Essa mudança, do ambiente colegial – onde todo mundo te protege, onde todo mundo te conhece, onde você tem amigos e gente que te quer bem –  para o ambiente universitário – onde existem muitos parceiros, mas poucos amigos, e de repente, todo mundo parece sumir –, sem sombra de dúvidas, foi um choque para mim, e acredito que para outros tantos também.
Mas foi incrível!
Um aprendizado. Um novo passo.

Foram cinco anos dentro desse mundo, vivendo a realidade da carteirinha de estudante, a falta de dinheiro, bares e festas, trabalhos onde o Wikipedia já não pode mais ser usado como fonte, correria, noites sem dormir, e a pressão do TCC, e a decepção em saber que deixou um rabicó pra trás, e teve que enfrentar uma "DP".
Cinco anos vivendo uma vida universitária, para sair da faculdade, e enfrentar a mais dolorosa prova dos últimos anos: O futuro.

Como se já não bastasse o vestibular no último ano do colegial, as provas cabulosas da graduação, e tudo mais, a gente ainda tem que conviver com dúvidas e incertezas quanto ao futuro.

Eu, por exemplo, me agarrei ao bordão "Ainda estou sem meu diploma – mas ainda tenho um emprego", tudo bem que não é na minha área, mas é um emprego. E tenho obtido sucesso na tentativa de driblar minha mente e não entrar em desespero. E ainda tenho aquela famosa frase, "Qualquer coisa, eu tento um concurso público", caso não consiga o emprego dos meus sonhos, e "tudo dê errado" e vá pelo ralo...
Como se passar em um concurso público fosse fácil, não é mesmo?

Mas e as pessoas que não possuem bordões ou frases em que se agarrar para manter a calma?
E nossos amigos da graduação que estão enfrentando os mesmos problemas?
E nossos irmãos, primos, amigos mais velhos e até desconhecidos, como será que eles fazem?
E principalmente, como é que nós fazemos quando temos esperanças, mas ao mesmo tempo não acreditamos nelas?

Ouvi dizer, lá em Dezembro, e agora em Janeiro - e ainda ouço -, que estamos no "ano de Saturno", o que acarretará em grandes mudanças.
Se uma dessas "grandes mudanças" prometidas vierem a calhar de ser um emprego, preferencialmente na área escolhida, conseguir pagar o cartão de crédito, e ainda "sobreviver", tudo bem.
Mas, e se não for?

Até quando ficaremos com essa crise pós faculdade, em que não sabemos o que fazer depois da graduação?

"– Que caminho devo seguir?"
"– Seguir meu sonho, ou ir pelo dinheiro?"
"– Será que vale a pena?"
"– Será mesmo que escolhi o curso certo?"

Vejo muitos amigos  e pessoas próximas à mim, que estão exatamente com esse mesmo tipo de pensamento.
Meu sentimento por elas é o mesmo: Compreensão.

Dou valor à quem sai da faculdade já sabendo qual caminho seguir. Assim, na lata! Com toda a convicção do mundo! E vai em busca disso.
Dou valor porque, no meio de tanta coisa, ela conseguiu encontrar algo que lhe tocasse, ao menos, o coração. Porque, vamos combinar, é só por amor que a gente consegue ser feliz na profissão, não é mesmo?
Eu, por exemplo, graduada em Biologia, fiquei em dúvida entre duas áreas: Botânica e Zoologia
Confesso que meu coração bate pelas duas, e ao mesmo tempo, por nenhuma.

Tem dias que acordo convicta de que fiz a escolha certa! 
Mas tem dias, que me pergunto porque é que não fiz comunicação, Pedagogia, ou algo do tipo.

São inúmeras dúvidas, inúmeros medos, receios, e um mundo repleto de desafios para serem encarados, e caminhos a serem desbravados.

À você, que passa pela crise pós-faculdade, em que não sabe ao certo para onde ir, como fazer, ou o que fazer, saiba que tem um monte de gente aqui, inclusive eu, que te compreende, e que não te julga. Muito pelo contrário! Deseja que você pare de se desesperar, se concentre, encontre sua paz interior, e busque seu caminho, e que se encontre, seja na profissão primeiramente escolhida, ou na próxima que está por vir!