sexta-feira, 18 de maio de 2018

Ele não vem


Eu o avistei de longe na rua. Chovia, fazia frio. 
Lembrei do que havíamos combinado. 
Acenei, sorri, mas não me aproximei. 
Ele estava longe demais.

Combinamos algo, e achei que não seria necessário (re)lembrá-lo.

Ele viria em casa, de noite, pra gente comer uma pizza, enquanto desfrutaríamos de mais uma garrafa de vinho.
Talvez a gente emendasse a noite com a madrugada, e ele dormiria aqui, mais uma vez, como sempre foi.
Pensei até no café da manhã. Panqueca com suco de maracujá seria a melhor opção, afinal, essa sempre foi a sua preferência. 
Planejei em ficarmos juntos o fim de semana inteiro. Subiríamos a Serra pra almoçar, observando a montanha ao fundo, e o frio que só faz por lá. Até chocolate quente e pão de queijo da Serra da Canastra tinham entrado na "mini-lista de coisas a serem feitas com quem você ama".

Tudo pensado, planejado, e até a bolsa estava arrumada.
O tanque de gasolina estava quase cheio, e as vasilhas dos gatos de jeito.
Era só esperar ele aparecer em casa de noite, para tudo dar certo e fluir, como sempre foi.

O relógio marcava sete horas, mas meu coração já estava inquieto desde às duas, e eu pronta desde às cinco.
Mas ele estava demorando. 
Ligações e mensagens, mas o celular estava na caixa postal, e nenhum, absolutamente nenhum sinal de vida esboçado por ele.
Pensei que poderia ser algum problema no trabalho, reunião de última hora. Quem sabe imprevisto, ou até acidente. 
Mas descartei essa última opção, pois notícia ruim corre rápido, e não havia nenhuma mensagem de luto em alguma de suas redes sociais.

Me adiantei, e pedi a pizza, afinal, trabalhar e esperar dá fome, né?

Sete e meia. Oito. Oito e dez, quinze, vinte, trinta. Nove. Dez horas!
Dez horas da noite e ele simplesmente não apareceu.
Não apareceu nem às onze, muito menos meia noite.
A pizza ficou intacta, mas a garrafa de vinho já estava quase vazia, assim como o meu coração e as esperanças de vê-lo.

Mas a cabeça estava à milhão, mas consegui entender que ele não veio.
Não veio mesmo.
Não foi um imprevisto que o fez não vir em casa, mas sim, desinteresse.
Ele não veio aquela noite, nem no dia seguinte, nem na outra semana. Passou o mês, e agora já até perdi as contas de quantas vezes pensei que ele me ligaria,  nem que fosse para dar uma desculpa esfarrapada, como sempre, ou apareceria de surpresa, e a gente poderia então, finalmente, colocar em prática aquela "mini-lista! de coisas para se fazer na Serra em um fim de semana com quem se ama.

Mas, ele nunca mais veio.
Nunca mais.
Ele não vem.
Não vem mais.

Só sinto agora saudades. E um vazio, querendo apenas entender o motivo desse sumiço.xxxx

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