Santuário Nacional de Aparecida

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Há uma certa vantagem em morar nesse lugar chamado Vale do Paraíba. 
Tem cachoeira, tem fazenda, tem roça, tem cidade moderna, tem parque, tem montanha... Tem de tudo um pouco, inclusive a única Basílica de São Benedito que sustenta o símbolo do Vaticano no Hemisfério Sul fica aqui, na cidade onde moro, Lorena, que fica do lado de Aparecida. 
Eita interiorzão bom!

Nas férias resolvi sair com minha irmã, avó e namorado, para bater perna em Aparecida, e descobrir mais um pedacinho de um dos pontos turísticos mais visitados desse Brasil. 
Aparecida fica há vinte e cinco quilômetros de distância, mas mesmo assim, não é um lugar que vou sempre.
Não sou católica, por isso só "descobri" o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida em 2013. Pela primeira vez visitei a Basílica - nova e velha -, apesar de sempre frequentar a feira de rua e o shopping dos romeiros.

Eis que, no feriado, resolvemos fazer um turismo religioso que há tempos estava querendo.
Os lugares desbravados foram:

     → Porto Itaguaçu;
     → Matriz Basílica Nossa Senhora Aparecida;
     → Morro do Presépio;
     → Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Sempre que penso em fazer um passeio turístico, gosto de começar pelo começo
Nosso primeiro ponto foi o Porto Itaguaçu
Era cedo quando fomos lá. Aproveitamos que não haviam turistas, nem vendedores ambulantes, ou algo parecido para "atrapalhar" o momento. 
Lá é conhecido como o lugar onde os pescadores encontraram a imagem da santa.
Um lugar bonito, cheio de árvores, de cores, e muito amor.




Há espaço dedicado às imagens dos pescadores que encontraram a imagem, uma cruz e uma capela, simbolizando o acontecimento.
O Rio Paraíba do Sul foi o rio em que a imagem foi encontrada. No Porto é possível embarcar em barcos e fazer um passeio pelas águas, com a presença de guias turísticos da cidade explicando cada trajeto do rio e a história por trás dele.





Nosso segundo lugar desbravado foi a Igreja Matriz, conhecida como Basílica Velha
Há duas maneiras de chegar até ela: caminhando pelas ruas, encarando ladeiras que dão nervoso e passando pela feira livre, ou indo através da passarela.
Nossa opção foi a passarela, afinal, estacionamos o carro dentro do pátio do Santuário.
ps.: estacionar o carro dentro do Santuário é uma ótima relação de custo x benefício: 1) segurança, porque estacionar na rua é perigoso, não é mesmo? / 2) o conforto poder ir até o seu carro a hora que quiser / 3) valor único, independente se você ficar uma hora, ou três, cinco, ou doze horas estacionado lá. // valor: R$ 15,00 (período de 12h)

É legal fazer esse caminho por três motivos:
           1) a vista em volta da passarela;
           2) o vento fresco;
           3) a fé das pessoas.
É muito, muito comum ver pessoas pagando suas promessas da seguinte maneira: indo ajoelhadas da porta da "Basílica nova" até a porta da "Basílica velha". Somente ela e Deus, com seus joelhos no chão, enfrentando sol ou chuva, calor ou frio, e dor, muita dor.
Uma experiência de fé, gratidão, amor, e encontro com Deus.




O interior da Basílica Matriz é lindo demais. As cores fortes e escuras, as imagens e a disposição da luz, lembram realmente como era a Igreja no passado.
Como posso garantir isso? Dona Maria, a vovó, sentada no banco enquanto contava da vez em que meu pai sumiu e foi encontrado sentado nos degraus degraus da Basílica Nova, sozinho e chorando, disse que a Matriz não mudou quase nada...

Até dizem que ainda há resto de ouro escondido em alguns detalhes das paredes, mas não dá pra confirmar se é verdade ou não.
É linda demais! E, particularmente, é mais linda que a Basílica Nova.






Voltamos para o Santuário do mesmo jeito que saímos dele: pela passarela.
Nossa intenção era visitar primeiro a Basílica, mas decidimos ir ao Presépio, caso chovesse. 
O Presépio é uma estrutura fixa no Santuário, aberta ao público e sem custo nenhum para adentrar nele. É um morro, daí o nome Morro do Presépio. É possível caminhar entre as esculturas e apreciar um lago com peixes e cascatas, além das belas árvores e flores que existem lá, e o Santuário Nacional ao fundo. 
Fizemos o caminho da forma errada: optamos por subir pelo caminho do morro, ao invés de subir pelas escadas. Começamos do fim, ao invés do começo, mas para descer, acompanhamos a história de maneira cronológica. Ai, meu Deus! 


O caminho conta, através de esculturas em tamanho real, a história do nascimento de Jesus, começando pelo anjo anunciando à Maria que ela ficaria, contando a morte dos bebês, a fuga dela e de José, até o nascimento de Cristo e a visita dos três reis magos.



O Morro do Presépio proporciona uma vista privilegiada da Basílica de NSAparecida. 
O céu azul, o sol, a brisa fresca e a sombra. Um cenário tão belo, tão doce, tão leve, que nos faz conectar com Deus ao fechar os olhos e iniciar uma oração. A presença de Deus neste lugar é forte, e a fé comove.



O último, mas não menos importante, lugar visitado foi a Basílica do Santuário Nacional.
Não sei o que dizer deste lugar, apenas que é um lugar cheio de labirintos e salas, e que é bem fácil se perder por lá, e a arquitetura lembra prédios do passado. 
A Basílica, pra quem não sabe, é uma "mini cidade", que tem prefeitura e subprefeitura, ou seja, é grande mesmo.


Um dos lugares que visitamos primeiro (antes mesmo do Santuário) foi a Cúpula da Basílica, sob o Altar Central, que foi aberta em comemoração ao Jubileu de 300 anos da aparição da imagem. A vista de lá é incrível! É possível ver a Basílica toda lá de cima. Tem também um museu, com objetos usados, águas de diversos rios e terra//areia de diversos lugares, armazenados em recipientes e expostos ao público.
ps.: o valor para conhecer a Cúpula é de R$ 15,00, sendo que IDOSO (apenas idoso) paga meia entrada.



O Santuário é muito bonito. Bonito, grande, iluminado e aconchegante. 
Assim que você chega no Santuário, em volta dele, existem esculturas dos doze discípulos de Jesus em volta dele. O Santuário é imponente, e, logo de frente, você avista, além das esculturas, uma torre grande com um relógio, e é lá que está localizada a Torre do Relógio e o Mirante (mas é necessário pegar R$ 10,00 para conhecer!).


No interior do Santuário existem bancos e mais bancos, e espaços pra todo mundo que não conseguir sentar neles, se acomodarem no chão, sem problema nenhum, e assistir à missa. Televisores e alto falantes estão espalhados pelo ambiente inteiro, pra que ninguém perca a hora da Palavra.



A Basílica é imensa e tem tantos lugares para conhecer, que um dia só não é o suficiente pra ver tudo. Fomos apenas à Sala dos Milagres, Capela das Velas e no Campanário, além de visitar a Casa do Pão, pra tomar café e o subsolo, porque tinha banheiro.

A Capela das Velas é um lugar com ar de mistério (ao menos para mim). As luzes que entram pelos pequenos vãos das janelas formam um contraste tão bonito com a luz emitida pelas velas, e refletem a imagem da Cruz nas pessoas. 
Apesar do cheiro, vale a visita!


A Sala dos Milagres é um verdadeiro museu de objetos que não imaginaríamos ver de perto, como por exemplo, o capacete usado por Felipe Massa, o macacão de Ayrton Senna e Rubens Barrichello, camisetas de jogadores dos mais diversos times de futebol, assim como camisetas da Seleção Brasileira, além de coroas, anéis, mãos e braços ou outras partes do corpo em gesso, e outros objetos que são entregues como forma de gratidão, além de fotos, muitas fotos, espelhadas pelo teto. 



O Campanário é uma das obras realizadas em comemoração do Jubileu de 300 anos, e foi um dos últimos projetos idealizados pelo Oscar N., e está localizado no exterior do Santuário. 
É composto por treze sinos, os quais doze são dedicados aos doze apóstolos, e um dedicado à Maria e a José. Eles são programados para soarem em perfeita sincronia e harmonia. A noite, eles são iluminados por luzes de diversas cores!
  


A Basílica é imensa, e, como eu comentei, é possível ter a leve sensação de que iremos nos perder por lá. Os corredores são extremamente parecidos, e todos eles são devidamente sinalizados, com placas indicando onde você está, e para onde seguir para chegar onde quer. 
Mas, mesmo assim, eles são incríveis e dão uma sensação de labirinto!


Viu só como tudo é muito parecido e dá pra se perder?

Além desses lugares, existem outros que vale - e muito - à pena conhecer, como o Mirante, localizado na Torre do Relógio, o Memorial da Devoção, onde se localiza o Museu de Cera e o Cine Padroeira, o Marco Zero e o Monumento à NSA, as Capelas do Santuário, o Memorial dos Construtores (que é um dos acessos ao Santuário, então é meio que automático conhecê-lo!), além de passeios nos bondinhos aéreos, que levam até o Morro do Cruzeiro, onde há uma grande imagem da santa, e que é local de meditação da Via Sacra, e também o Centro de Apoio ao Romeiro, que tem lojas de artigos religiosos e bugigangas, e também praça de alimentação!


Não sou católica, mas se tem algo que eu adoro conhecer, com certeza é Igreja. 
Este "passeio" estilo romeiro foi muito, mas muito legal, e eu recomendo isso pra todo mundo! 

Mesmo com as diferenças religiosas, fé é fé, Deus é Deus, e amor é amor. 

Que em 2018 as pessoas possam ser menos preconceituosas e possam desfrutar de lugares incríveis, como este que desfrutei. Que possamos nos encontrar com a nossa fé, com o nosso Deus, e com a paz interior. 
Que 2018 possamos ser pessoas melhores, tolerantes e amorosas, uns com os outros - e com nós mesmos!