domingo, 14 de janeiro de 2018

Santuário Nacional de Aparecida


Há uma certa vantagem em morar nesse lugar chamado Vale do Paraíba. 
Tem cachoeira, tem fazenda, tem roça, tem cidade moderna, tem parque, tem montanha... Tem de tudo um pouco, inclusive a única Basílica de São Benedito que sustenta o símbolo do Vaticano no Hemisfério Sul fica aqui, na cidade onde moro, Lorena, que fica do lado de Aparecida. 
Eita interiorzão bom!

Nas férias resolvi sair com minha irmã, avó e namorado, para bater perna em Aparecida, e descobrir mais um pedacinho de um dos pontos turísticos mais visitados desse Brasil. 
Aparecida fica há vinte e cinco quilômetros de distância, mas mesmo assim, não é um lugar que vou sempre.
Não sou católica, por isso só "descobri" o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida em 2013. Pela primeira vez visitei a Basílica - nova e velha -, apesar de sempre frequentar a feira de rua e o shopping dos romeiros.

Eis que, no feriado, resolvemos fazer um turismo religioso que há tempos estava querendo.
Os lugares desbravados foram:

     → Porto Itaguaçu;
     → Matriz Basílica Nossa Senhora Aparecida;
     → Morro do Presépio;
     → Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Sempre que penso em fazer um passeio turístico, gosto de começar pelo começo
Nosso primeiro ponto foi o Porto Itaguaçu
Era cedo quando fomos lá. Aproveitamos que não haviam turistas, nem vendedores ambulantes, ou algo parecido para "atrapalhar" o momento. 
Lá é conhecido como o lugar onde os pescadores encontraram a imagem da santa.
Um lugar bonito, cheio de árvores, de cores, e muito amor.




Há espaço dedicado às imagens dos pescadores que encontraram a imagem, uma cruz e uma capela, simbolizando o acontecimento.
O Rio Paraíba do Sul foi o rio em que a imagem foi encontrada. No Porto é possível embarcar em barcos e fazer um passeio pelas águas, com a presença de guias turísticos da cidade explicando cada trajeto do rio e a história por trás dele.





Nosso segundo lugar desbravado foi a Igreja Matriz, conhecida como Basílica Velha
Há duas maneiras de chegar até ela: caminhando pelas ruas, encarando ladeiras que dão nervoso e passando pela feira livre, ou indo através da passarela.
Nossa opção foi a passarela, afinal, estacionamos o carro dentro do pátio do Santuário.
ps.: estacionar o carro dentro do Santuário é uma ótima relação de custo x benefício: 1) segurança, porque estacionar na rua é perigoso, não é mesmo? / 2) o conforto poder ir até o seu carro a hora que quiser / 3) valor único, independente se você ficar uma hora, ou três, cinco, ou doze horas estacionado lá. // valor: R$ 15,00 (período de 12h)

É legal fazer esse caminho por três motivos:
           1) a vista em volta da passarela;
           2) o vento fresco;
           3) a fé das pessoas.
É muito, muito comum ver pessoas pagando suas promessas da seguinte maneira: indo ajoelhadas da porta da "Basílica nova" até a porta da "Basílica velha". Somente ela e Deus, com seus joelhos no chão, enfrentando sol ou chuva, calor ou frio, e dor, muita dor.
Uma experiência de fé, gratidão, amor, e encontro com Deus.




O interior da Basílica Matriz é lindo demais. As cores fortes e escuras, as imagens e a disposição da luz, lembram realmente como era a Igreja no passado.
Como posso garantir isso? Dona Maria, a vovó, sentada no banco enquanto contava da vez em que meu pai sumiu e foi encontrado sentado nos degraus degraus da Basílica Nova, sozinho e chorando, disse que a Matriz não mudou quase nada...

Até dizem que ainda há resto de ouro escondido em alguns detalhes das paredes, mas não dá pra confirmar se é verdade ou não.
É linda demais! E, particularmente, é mais linda que a Basílica Nova.






Voltamos para o Santuário do mesmo jeito que saímos dele: pela passarela.
Nossa intenção era visitar primeiro a Basílica, mas decidimos ir ao Presépio, caso chovesse. 
O Presépio é uma estrutura fixa no Santuário, aberta ao público e sem custo nenhum para adentrar nele. É um morro, daí o nome Morro do Presépio. É possível caminhar entre as esculturas e apreciar um lago com peixes e cascatas, além das belas árvores e flores que existem lá, e o Santuário Nacional ao fundo. 
Fizemos o caminho da forma errada: optamos por subir pelo caminho do morro, ao invés de subir pelas escadas. Começamos do fim, ao invés do começo, mas para descer, acompanhamos a história de maneira cronológica. Ai, meu Deus! 


O caminho conta, através de esculturas em tamanho real, a história do nascimento de Jesus, começando pelo anjo anunciando à Maria que ela ficaria, contando a morte dos bebês, a fuga dela e de José, até o nascimento de Cristo e a visita dos três reis magos.



O Morro do Presépio proporciona uma vista privilegiada da Basílica de NSAparecida. 
O céu azul, o sol, a brisa fresca e a sombra. Um cenário tão belo, tão doce, tão leve, que nos faz conectar com Deus ao fechar os olhos e iniciar uma oração. A presença de Deus neste lugar é forte, e a fé comove.



O último, mas não menos importante, lugar visitado foi a Basílica do Santuário Nacional.
Não sei o que dizer deste lugar, apenas que é um lugar cheio de labirintos e salas, e que é bem fácil se perder por lá, e a arquitetura lembra prédios do passado. 
A Basílica, pra quem não sabe, é uma "mini cidade", que tem prefeitura e subprefeitura, ou seja, é grande mesmo.


Um dos lugares que visitamos primeiro (antes mesmo do Santuário) foi a Cúpula da Basílica, sob o Altar Central, que foi aberta em comemoração ao Jubileu de 300 anos da aparição da imagem. A vista de lá é incrível! É possível ver a Basílica toda lá de cima. Tem também um museu, com objetos usados, águas de diversos rios e terra//areia de diversos lugares, armazenados em recipientes e expostos ao público.
ps.: o valor para conhecer a Cúpula é de R$ 15,00, sendo que IDOSO (apenas idoso) paga meia entrada.




O Santuário é muito bonito. Bonito, grande, iluminado e aconchegante. 
Assim que você chega no Santuário, em volta dele, existem esculturas dos doze discípulos de Jesus em volta dele. O Santuário é imponente, e, logo de frente, você avista, além das esculturas, uma torre grande com um relógio, e é lá que está localizada a Torre do Relógio e o Mirante (mas é necessário pagar R$ 10,00 para conhecer!).


No interior do Santuário existem bancos e mais bancos, e espaços pra todo mundo que não conseguir sentar neles, se acomodarem no chão, sem problema nenhum, e assistir à missa. Televisores e alto falantes estão espalhados pelo ambiente inteiro, pra que ninguém perca a hora da Palavra.



A Basílica é imensa e tem tantos lugares para conhecer, que um dia só não é o suficiente pra ver tudo. Fomos apenas à Sala dos Milagres, Capela das Velas e no Campanário, além de visitar a Casa do Pão, pra tomar café e o subsolo, porque tinha banheiro.

A Capela das Velas é um lugar com ar de mistério (ao menos para mim). As luzes que entram pelos pequenos vãos das janelas formam um contraste tão bonito com a luz emitida pelas velas, e refletem a imagem da Cruz nas pessoas. 
Apesar do cheiro, vale a visita!


A Sala dos Milagres é um verdadeiro museu de objetos que não imaginaríamos ver de perto, como por exemplo, o capacete usado por Felipe Massa, o macacão de Ayrton Senna e Rubens Barrichello, camisetas de jogadores dos mais diversos times de futebol, assim como camisetas da Seleção Brasileira, além de coroas, anéis, mãos e braços ou outras partes do corpo em gesso, e outros objetos que são entregues como forma de gratidão, além de fotos, muitas fotos, espelhadas pelo teto. 



O Campanário é uma das obras realizadas em comemoração do Jubileu de 300 anos, e foi um dos últimos projetos idealizados pelo Oscar N., e está localizado no exterior do Santuário. 
É composto por treze sinos, os quais doze são dedicados aos doze apóstolos, e um dedicado à Maria e a José. Eles são programados para soarem em perfeita sincronia e harmonia. A noite, eles são iluminados por luzes de diversas cores!
  


A Basílica é imensa, e, como eu comentei, é possível ter a leve sensação de que iremos nos perder por lá. Os corredores são extremamente parecidos, e todos eles são devidamente sinalizados, com placas indicando onde você está, e para onde seguir para chegar onde quer. 
Mas, mesmo assim, eles são incríveis e dão uma sensação de labirinto!


Viu só como tudo é muito parecido e dá pra se perder?

Além desses lugares, existem outros que vale - e muito - à pena conhecer, como o Mirante, localizado na Torre do Relógio, o Memorial da Devoção, onde se localiza o Museu de Cera e o Cine Padroeira, o Marco Zero e o Monumento à NSA, as Capelas do Santuário, o Memorial dos Construtores (que é um dos acessos ao Santuário, então é meio que automático conhecê-lo!), além de passeios nos bondinhos aéreos, que levam até o Morro do Cruzeiro, onde há uma grande imagem da santa, e que é local de meditação da Via Sacra, e também o Centro de Apoio ao Romeiro, que tem lojas de artigos religiosos e bugigangas, e também praça de alimentação!


Não sou católica, mas se tem algo que eu adoro conhecer, com certeza é Igreja. 
Este "passeio" estilo romeiro foi muito, mas muito legal, e eu recomendo isso pra todo mundo! 

Mesmo com as diferenças religiosas, fé é fé, Deus é Deus, e amor é amor. 

Que em 2018 as pessoas possam ser menos preconceituosas e possam desfrutar de lugares incríveis, como este que desfrutei. Que possamos nos encontrar com a nossa fé, com o nosso Deus, e com a paz interior. 
Que 2018 possamos ser pessoas melhores, tolerantes e amorosas, uns com os outros - e com nós mesmos!



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