quarta-feira, 22 de julho de 2026

Amizade e limites

Enquanto o frango esfriava na pia, lembrei que tinha que perguntar para minha mãe se ela havia mandado mensagem de feliz aniversário para sua amiga.
Em diálogo silencioso e imaginário, ela me responderia que não, e eu diria prontamente que ficaria triste se minha melhor amiga não me desse feliz aniversário...

E então, ela me daria o contragolpe fatal, dizendo que a melhor amiga dela era sua mãe e, agora, suas duas filhas.

E isso me fez refletir no relacionamento entre mães e filhas ao longo dos anos que construímos.
Minha mãe foi minha primeira amiga. E é a melhor.
Mas lembro quando criança, em meio a um desrespeito, ela dizia algo como: "Presta atenção como você fala comigo, pois eu sou sua mãe, não sua amiga!".
E, de certa forma, tal afirmação - ou falsa correção - ecoou (e ainda ecoa) na minha cabeça.

Até que ponto posso conversar com minha mãe sobre algo que contaria para uma melhor amiga? 
Até que ponto seria aceitável que minha mãe escutasse determinados detalhes que se passam na minha cabeça? 
Qual é o nível de intimidade, parceria, amizade e confiança que nós, mulheres que crescemos ouvindo frases como essas de nossas mães, conseguimos alcançar?

A linha que divide entre o que é aceitável ou erradíssimo para se compartilhar com nossas mães é tênue, frágil.

É o conflito de gerações e pensamentos se chocando, ao mesmo tempo que querem criar espaço, querem compartilhar também coisinhas, porque no fundo, somos mulheres vivendo tudo pela primeira vez.
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