terça-feira, 5 de abril de 2016

À primeira vista


Foi amor à primeira vista. 
À segunda, à terceira, à quarta, à quinta, e à mais quantas vistas houvessem.
Foi amor de dia, de tarde, e de noite.
Foi amor de segunda a sexta, e fim de semana.
Foi amor de sábado matinal, e de segunda-feira entediada.
Foi amor...

Foi amor que tira sono, e que faz cair nele também.
Foi amor que acorda de madrugada, e deixa com insônia.
Foi amor que provoca sorrisos espontâneos, e choros desesperados.
Foi amor que causa borboletas no estômago, e que faz prender a respiração.
Foi amor de paralisar o coração, e de tremer as pernas.
Foi amor de querer ficar junto, e saber que é basicamente quase impossível.

Foi amor com começo inesperado, mas ainda inacabado.
Foi amor de parar corações, de parecer mentira, de parecer ilusão.
Foi amor de música, trilha sonora, cd, dvd, encarte, show ao vivo.
Foi amor de cinema, de filme, de peça de teatro, de contos de fadas.

Foi amor. Não parece, mas foi.
E é.

É amor cada vez que penso em seu rosto e em seus lábios se abrindo para um sorriso.
É amor cada vez que lembro de seu cabelo esvoaçante, e dos dias em que ele estava cortado.
É amor cada vez que penso em seus olhos e lembro deles nos meus.
É amor cada vez que lembro das inúmeras encaradas em cada esquina cruzada.
Às vezes era tão intenso, que nos olhávamos desde o primeiro segundo até o último em que estivéssemos um ao alcance do outro.
É amor cada vez que fecho os olhos e lembro do dia em que ele resolveu seguir o roteiro que criei em minha cabeça durante tanto tempo, usando os diálogos bem elaborados. Era como se eu tivesse dado para ele ler antes de tudo acontecer.
É amor cada vez que lembro da sua voz, e da sua risada gostosa.
É amor cada vez que me recordo de seu toque em minhas mãos.
É amor cada vez que me recordo dos teus lábios em minha bochecha.
É amor cada vez que me recordo dos teus lábios junto aos meus, embalados no beijo mais rápido e mais demorado da história das histórias de amor.

Poderíamos ser como Romeu e Julieta, mas não gostaria que morrêssemos antes de continuar a história.
Poderíamos ser como Bridget e Mark, e gostaria mesmo que fossemos como eles.
Poderíamos ser um mundo de coisas boas juntos.
Poderíamos ser os mais belos sorrisos da cidade, caminhando de mãos dadas pela chuva em direção ao carro.
Poderíamos ser o casal mais indeciso do restaurante, na eterna dúvida entre carne ou frango.
Poderíamos ser o casal que vai na sorveteria e escolhe uma bola de sorvete de cada sabor, porque sabe que o outro vai pegar um pouquinho do potinho.
Poderíamos ser o Teenage Dream, da Katy Perry.
Poderíamos escolher entre Batman ou Superman, ou quem sabe, Corinthians e Palmeiras, chocolate branco ou chocolate preto, TeleCine ou HBO, Boomerang ou Tooncast, DC Comics ou Marvel.


Poderíamos ser tudo. Mas não somos nada.
Nada além de dois estranhos que apenas sabem o nome um do outro.
Não somos nada, além de trocas de olhares, sorrisos, e agora um beijo.
Não somos nada.
Mas para mim, podemos um dia ser tudo.

Me apaixonei do mesmo jeito que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora para outra....
... à primeira vista. E me apaixonaria à quantas mais vistas houvessem para se apaixonar.



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