sábado, 1 de janeiro de 2022

Primeiro dia



Ainda tentando recolar os pedaços do espelho quebrado — pela vigésima vez no ano —, ainda tentando recompor as energias, tentando esquecer as dores do passado, e tentando fazer as pazes comigo.
Pois é. Preciso fazer as pazes comigo, para voltar a andar de mãos dadas com minha melhor e pior versão, e estar pronta para quando chegar a hora de soltar uma delas — e eu espero que seja a pior.

As mensagens calorosas de ano novo enviadas foram ignoradas com sucesso. Com exceção de uma, as outras três nem deveriam sequer ter sido enviadas. Mas é aquilo, né: a palavra dita, o abraço dado, e a mensagem enviada — às vezes vai, mas não era pra ter ido.

Pensei em comprar uma agenda, afinal, muitas coisas aconteceram em 2021 e eu não registrei no meu grande bloco de notas de recordação, nem aqui no blog, nem em um pedaço de papel. Coisas grandes, pequenas, importantes e algumas desnecessárias que ficaram na minha cabeça.
Não quero que 2022 seja assim também.

Mas é necessário registrar: passei pela pandemia de Covid-19 ilesa: não fiquei doente, e terminei 2021 sem estar gripada (tem uma epidemia rolando dentro de uma pandemia. surreal); tomei três doses da vacina de Covid-19, e me sinto abençoada!; meu padrinho faleceu de Covid-19, e deixou muita dor, saudade e ódio do presidente; apesar de todos os tropeços, Deus sustentou minha família, minha casa, e houve paz por aqui!; me senti útil e feliz trabalhando naquilo que aprendi a amar; em dezembro fui ao hospital duas vezes com crise de ansiedade — e um deles achei que poderia ser infarto, mas era ansiedade mesmo —; comecei a tomar remédio para pressão; fui para SP comemorar meu aniversário e conheci uma pessoa incrível que eu gostaria que não saísse da minha vida — mas provavelmente já saiu e eu que não me toquei ainda —; quis reviver um amor, mas entendi que tem coisas na vida que acontecem e passam, e saber a hora de dizer adeus é tão importante quanto saber pedir para ficar. 
Eu não disse adeus, mas soube que era hora de deixar partir. E dessa vez para sempre, porque eu realmente preciso caminhar de mãos dadas com a minha melhor versão.

É por mim. E se eu não fizer coisas por mim, ninguém fará.

Além da agenda, pensei em comprar um planner.
Seria legal conseguir organizar minha vida de novo, como antes.
Mas, sei que esse passo é muito grande, e minhas pernas são curtas, ou seja, não estou pronta para dar - ainda.

Pensei também em comprar uma mandala lunar, para acompanhar meu ciclo menstrual, agora que estou sem hormônios industriais no meu corpo, mas... não dá. Acho lindo, gostaria de compreender mais, mas não tenho saco para fazer o ritual da menstruação, para abraçar meu ser interior, os meus ancestrais, e me conectar com a Mãe-Terra, e devolver à ela o que saiu de mim.
Credo. Sem tempo.

Hoje é sábado, e enquanto nada está funcionando, estou anotando o acontecimento do dia num pedaço de papel, para passar a limpo na agenda.
Dessa vez tem que ir!

Preciso planejar meu ano de trabalho. Quero fazer coisas, e se eu não me planejar, ficarei mais um Natal sem fazer o que eu quero.

Neste primeiro dia do ano em que todas as minhas coisas começam a vencer (perfumes, batons, hidratantes corporais ainda na caixinha, e tantas outras coisas), quero que minha vontade de mudar de vida, de hábito, de pensamento também vença!
Tem uma música da ilustríssima banda All Time Low, que há mais de dez anos canta "Maybe it's not my weekend but it's gonna be my year" (talvez esse não seja meu fim de semana, mas esse será o meu ano), e eu estou bem confiante que este será o meu ano!

Eu não sei os planos de Deus para minha vida, e confesso que não li muito sobre o Retorno de Saturno, mas parece que ele veio com tudo no sentido de cuidar da minha mentalidade, no sentido de estar bem comigo, com meu corpo, com meus pensamentos, e fazer boas escolhas.
Eu tenho a fé que Deus me deu uma oportunidade de ouro nos últimos dias de 2021 para cuidar da minha saúde. Sinto que posso ser útil para o Reino de Deus, mas eu preciso estar INTEIRA para fazer isto: sem dores no corpo, no coração, na mente, e com os pensamentos melhores.
Isso inclui mudança de vida, mudança de desejos, de hábitos, e eu estou disposta a sacrificar muito por mim.
É por mim, sabe?

E que 2022 seja assim: eu por mim, e minha melhor versão de mãos dadas comigo.
Fazer as pazes com a Jeyse que foi abandonada durante a pandemia: voltar a sorrir pra ela, acolhe-la, abraçá-la, amá-la, respeitá-la e saber ouvir.

Eu disse várias vezes que não aguentava mais, mas acontece que eu aguentei até aqui, e eu sei que posso aguentar e continuar por mais. 
Por mim. 
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